sábado, 6 de março de 2010

Hic Sunt Dracones 1de3

Um conto climático
Eis um tempo de mudanças, tanto na terra, quanto na água e no ar.
A água já não é tão fresca como antes. As terras exigem mudanças na maneira de cultiva-las e o ar, ai o ar, se não fossem os equipamentos malucos espalhados pela terra, água e estratosfera ninguém saberia que sua composição esta sendo alterada. Afinal de contas civilizações que dependiam das águas oceânicas já tinham vistos mudanças acontecerem e explorar terras antes inférteis foi o que permitiu o crescimento de toda uma civilização. Mas o ar, somos muito pequenos para sentir estas mudanças, mas eles não.
Eles sabem muito bem quando o ar está favorável para eles se desenvolverem. O ar muda até lá dentro das cavernas escuras, frias e úmidas que eles gostam de ficar.
Eu só não entendia como eles podiam crescer tão rápido. Até ela me explicar como se eu fosse a pessoa mais tola do mundo:
Tabata, é como a borboleta em seu casulo.
Mas este, realmente, não foi um diálogo espontâneo. Vamos voltar um ano.
Teve a noite do terremoto, naquela noite a Terra tremeu em três regiões bem diferentes, e não foi um tremor qualquer, o chão abriu no meio, o vulcão começou a soltar fumaça e ficou tudo de cabeça para baixo.
Como a mãe é bióloga e ela sempre teve a terrível mania de me arrastar para todo campo que ela vai, não ia ser diferente agora, no ano que eu resolvi fazer biologia. Lá estava eu numa região onde nem o GPS funciona direito, e que depois do tremor ficou com só duas horas diárias de Sol. Toda vez que ia entrar em pânico a mãe olhava para mim e dizia:
Se você pode, eu também posso. Daí seremos duas mulheres malucas chorando e gritando no meio do nada.
Incrível como funcionava. Não só porque ele estava me chamando de mulher, mas também porque ela me deixava perceber que ela também estava assustada.
As maluquices dela meio que ajudaram para que a gente não enlouquecesse de vez. Todo dia a mesma rotina.
limpar a caverna/quarto;
ir atrás de comida e água;
almoçar;
trocar as baterias, colocá-las no sol
aproveitar o momento de sol!!! adorava esta parte
verificar pela enésima vez o GPS
exercícios físicos, segundo ela era o que Shackleton teria feito;
exercícios mentais, no começo eu odiava xadrez, hoje eu realmente abomino;
levantamento da flora;
levantamento da fauna, foi aqui que a coisa ficou interessante.
Depois de ter passado por catatonia, desespero, negação, raiva, depressão,... tudo junto. O corpo (com a ajuda ditatorial de dona Abigail) convenceu o cérebro que o cérebro deveria voltar a mandar no corpo. Aí eu comecei a rotina e a pesquisa com os axolotes.
A PhD Maria Abigail Silva Marques estava investigando a convite da Universidad Nacional Autónoma do México...